O fantasma do preconceito

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PreconceitoPesquisando sobre doença de Crohn na internet, achei alguns blogs de outros portadores da doença, notícias, casos graves e brandos, comunidades no Orkut, páginas no facebook etc.

Eu sempre li muitos blogs e sempre gostei desse tipo de veículo de comunicação. Acho sensacional, pois normalmente seguem um tema específico e conseguem fidelizar leitores de uma forma ímpar. Atualmente, tenho lido muitos blogs de saúde, emagrecimento, reeducação  alimentar, atividades físicas, esportes, qualidade de vida, fórmulas antistress, educação financeira e gerenciamento do tempo. A escolha desses temas se deve ao fato de quem a minha doença só é tratada se eu mantiver hábitos de vida saudáveis e controlar o stress do dia a dia. Assim, tento implementar em minha vida métodos de organização, controle do tempo e controle financeiro, além de também adotar hábitos saudáveis e uma alimentação melhor.

Com todo esse controle, as pessoas me veem como metódico ou chato, mas a realidade é que consigo controlar muito mais minha ansiedade e consigo melhorar minha qualidade de vida.

O post de hoje não e sobre como eu faço isso, pois deixarei para escrever sobre o tema mais adiante e, inclusive, de forma mais abrangente e contínua. O que está sendo bom pra mim pode também ajudar você, caro leitor.

O post de hoje é sobre preconceito. Sim, preconceito.

Estava lendo alguns blogs de saúde, em especial alguns de meninas que estão escrevendo sobre a luta para emagrecer e me deparei com comentários desanimadores. Solidarizei-me. Esses tipos de comentários não agregam nada e demonstram que as pessoas são extremamente invejosas. Inveja da felicidade e da força de vontade alheia.

Eu não escrevo sobre emagrecimento, pois a minha doença já fez esse trabalho para mim. Eu escrevo sobre a minha luta cotidiana para conseguir me manter no peso, ganhar mais peso de forma saudável e não ter mais anemias e perdas de peso súbitas. E, para mim, é muito difícil compartilhar uma doença que ninguém conhece direito com o mundo. É difícil pois eu perdi amigos, emprego e família por causa dela.

Explico-me: em 2010 eu trabalhava em uma grande empresa e fui demitido subitamente sob a alegação “você está visivelmente doente”. No mesmo ano de 2010 as pessoas da minha família (tios e tias) me viram pela primeira vez depois de eu ter ficado doente. Eu estava drasticamente mais magro. Até hoje, alguns deles não apertam mais minha mão com medo de contrair a doença. Até mesmo deixei de ser convidado para eventos familiares. É claro que há exceções e eu não me refiro ao núcleo familiar (mãe, pai, avó e irmã, que moram comigo). Além da família, alguns amigos tomaram o mesmo rumo e sequer olham para mim na rua.

No entanto, eu agradeço aos que sobraram. Um velho ditado diz:

Para saber quantos amigos você tem, dê uma festa. Para avaliar a qualidade deles, fique doente.

Hoje, sei quem são os meus amigos de verdade, quem é a minha família de verdade e agradeço a empresa que eu trabalho por entender a minha doença.

Desculpem o desabafo, mas é realmente desanimador ver pessoas infelizes com a felicidade alheia. E eu só aprendi com a minha doença. Aprendi a ser mais tolerante, a ser mais amigo e a pensar mais nas consequências de atos e palavras.