Dietas para controle da Colite Ulcerativa & Doença de Crohn

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DietaUltimamente quatro tipos de dietas estão se tornando muito populares ao redor do mundo no tratamento das Doenças Inflamatórias Intestinais (retocolite ulcerativa e doença de Crohn), além da Síndrome do Intestino Irritável e da doença celíaca. São elas a dieta Paleo, a SCD (Specific Carbohydrate Diet ou DICE – Dieta do Carboidrato Específico), a PRIMAL e a GAPS – Gut and Psychology Syndrome.

Muitos estudos estão sendo feitos e os especialistas ainda divergem nas opiniões sobre essas dietas. Existem milhões de explicações por aí a respeito de todas as dietas abaixo, então como escolher qual a melhor para o seu caso? Pesquise! E consulte o seu nutricionista ou nutrólogo. Este post tem a intenção de explicar os principais pontos de cada dieta, mas eu aconselho que antes de seguir qualquer tipo de dieta ou de reeducação alimentar consulte seu gastroenterologista, seu endocrinologista, seu nutricionista ou seu nutrólogo. A equipe médica é muito importante – como já comentei aqui – e todos devem estar cientes e de acordo com o tipo de alimentação que você tem. Portanto, consulte seu médico, ok? 🙂

Inicialmente, eu recomendo que você faça um teste para verificar se possui intolerância à lactose ou ao glúten. Esse é um excelente ponto de partida.

1. Dieta Paleo (ou paleolítica)
É uma dieta que vem se tornando muito popular, liderada pelos especialistas Loren Cordain & Robb Wolf. O foco é a comida natural, gorduras animais e gorduras naturais (como a do abacate) e baixo carboidratos. O princípio básico é que nós não evoluímos para otimizarmos a digestão e absorção de produtos provenientes da agricultura (arroz, feijão, milho etc.).

Não há estudos controlados sobre a dieta Paleo, mas taxas de sucesso superiores a 90% estão sendo reportadas por médicos do mundo inteiro. O médico francês Dr. Jean Seignalet conduziu um teste em pacientes autoimunes com um sucesso de cerca de 50% na redução de sintomas.

Foram testadas as seguintes doenças: artrite reumatóide (80% de sucesso), lúpus (100% de sucesso), esclerose múltipla (97% de sucesso), fibromialgia (97% de sucesso), síndrome do intestino irritável (98% de sucesso), crohn (100% de sucesso) e síndrome da fadiga crônica (85% de sucesso). Apesar de os resultados serem aparentemente animadores, é preciso tomar cuidado com as conclusões. O tamanho das amostras de pacientes não são significantes para se ter certeza de que a dieta paleolítica é, de fato, um sucesso. Por exemplo, no caso do lúpus, apenas 13 pacientes fizeram parte do teste.

Felizmente, novos estudos estão sendo feitos e possivelmente no curto-médio prazo chegaremos a uma conclusão a respeito do tema.

2. Dieta Primal (ou primitiva)
O principal personagem dessa dieta, que é basicamente uma adaptação da dieta Paleo, é o americano Mark Sisson. Ele diz que a Primal não é uma dieta, mas um estilo de vida.

Outro seguidor desse “estilo de vida” é o americano Chris Kresser, outrora um grande defensor da dieta Paleo que resolveu adaptá-la e incorporar laticínios e kefir na alimentação com muito sucesso. Ele diz que é possível que uma pessoa não tolere mais que uma colher de chá de kefir ao dia, mas pode aumentar gradualmente a dose. Alguns portadores de DII relatam que conseguiram bons resultados com o uso do kefir. A teoria do Mr. Kresser é que a ingestão de probióticos através do kefir altera a microbiota original do intestino, permitindo que as pessoas tolerem alimentos lácteos.

3. SCD – Specific Carbohydrate Diet (ou DICE – dieta do carboidrato específico)
Foi desenvolvida por um pediatra especializado em doença celíaca, o Dr. Sydney Valentine Hass. A primeira vista, a SCD/DICE parece uma dieta de baixo carboidrato, mas o princípio básico é que, na verdade, a alimentação com carboidratos prolifera fungos e bactérias no intestino. Assim, a SCD/DICE prega a limitação tanto da quantidade quanto dos tipos de carboidratos. A principal diferença da Paleo é que leguminosas devidamente preparadas – como o feijão – são permitidos. Além disso, assim como na dieta Primal, laticínios são permitidos.

Sucesso: Uma pesquisa realizada pelo Autism Research Institute – Instituto de Pesquisa do Autismo – resultou que 71% dos pais notaram melhora em seus filhos que se alimentarem com a SCD/DICE. Além disso, os proponentes da dieta alegam que a taxa de recuperação para a doença de Crohn chega a 80% e a taxa sobe para 95% quando se trata de diverticulite. E mais impressionantes ainda são os resultados de um estudo piloto feito pela University of Massachusetts (UMass) sobre as Doenças Inflamatórias Intestinais. Esse estudo concluiu que notavelmente 9 em cada 11 pacientes puderam ser tratados sem terapia anti-TNF e 100% tiveram seus sintomas reduzidos com o uso da dieta SCD/DICE.

4. GAPS – Gut And Psychology Syndrome (GAPS) Diet
A GAPS é baseada na dieta do carboidrato específico (SCD) e foi desenvolvida pela Dr. Natasha Campbell-McBride. A principal diferença da GAPS para outras dietas aqui citadas é o foco na cura do intestino, se opondo às ideias da alimentação apenas em alimentis que são digeridos e absorvidos de forma ótima. A principal diferença entre a GAPS e a SCD é a ênfase em caldos de ossos, alimentos fermentados, baixa alimentação em grãos e sementes e a implementação gradual de caseína diária com o uso de Ghee – um tipo de manteiga clarificada, muito usado na culinária indiana.

Conclusão: As quatro dietas são bastante similiares entre si e isso se deve ao fato de a GAPS ser uma adaptação da SCD e a Primal ser uma adaptação da Paleo. Sinceramente, acho que o melhor é testar. Eu mesmo devo, no futuro, testar a SCD e ver o que acontece, como o MEU corpo reage. Quando eu fizer isso, vou postar aqui e no instragram as refeições e as minhas impressões sobre a dieta e seus resultados.

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