A minha rotina com a Doença Infamatória Intestinal

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Estudar e trabalhar… e, se der tempo, fazer uma atividade física. Será que isso é possível na Doença Inflamatória Intestinal (DII)? Sim! Eu convivo com a doença de Crohn há alguns anos e posso dizer que é perfeitamente possível, bastam alguns ajustes na rotina.

Estudos

Se você chegou aqui no blog agora e ainda não conhece minha história, então vou te contar como levei minha vida de estudante durante as crises.

Eu comecei a ter sintomas da doença de Crohn em 2009, período no qual estava cursando o 4º período da faculdade de administração e fazendo estágio.

Essa foi uma época muito ruim. Eu parei de ir às aulas e cheguei a trancar um período. Consequentemente, devido a saúde abalada, acabei precisando sair do estágio.

Foi tudo muito triste e eu não tinha muito apoio das pessoas. Sofria bastante preconceito por ter emagrecido muito e ter que “frequentar” o banheiro muitas vezes ao dia.

Mas a volta por cima veio cerca de um ano depois.

No fim de 2010, inundado pela depressão, comecei um tratamento com antidepressivos enquanto os gastroenterologistas ainda não decidiam se eu tinha doença de Crohn, retocolite ulcerativa ou frescura mesmo.

Os remédios levantaram meu ânimo e eu voltei a faculdade que, finalmente, concluí em 2012. No mesmo ano que iniciei o tratamento para doença de Crohn com azatioprina.

Em 2013, iniciei minha terceira faculdade. Trabalhava o dia inteiro e ia as aulas que aconteciam à noite e aos sábados.

Porém, precisei trancar a faculdade ainda no 1º período por duas complicações: descobri uma suboclusão intestinal que me obrigou a me submeter a uma cirurgia para retirada de parte do meu intestino. Depois também recebi uma proposta de emprego em um bairro muito afastado da faculdade.

Mas, no fim, tudo deu certo. A cirurgia foi um sucesso e mesmo tendo que trancar a faculdade (a segunda e que eu fazia por hobby, apenas por gostar do assunto), consegui atingir outro objetivo acadêmico: no fim de 2013, fui aprovado no mestrado que iniciei em 2014. 🙂

Concluí o mestrado muito bem em 2016. Dois anos e três meses de muito estudo e dedicação!

Mas calma que nem tudo foram flores.

Alguns perrengues apareceram pelo caminho. Precisei faltar algumas aulas por subitamente ter dores de barriga fortíssimas e sair no meio de algumas aulas para ir ao banheiro.

A dica aqui é: transparência!

Meus colegas de mestrado sabiam da minha condição de saúde, bem como meus professores. Abrindo o jogo com eles eu consegui a compreensão de todos (ou quase todos). Dessa forma consegui flexibilidade para algumas coisas, como ter direito a usar o banheiro de deficientes (que ficava mais próximo da sala de aula e estava sempre vazio e trancado).

Ou seja, se você for transparente com seus colegas de turma e seus professores, coordenadores e diretores tudo fica mais fácil! Só não se deve abusar da boa vontade alheia, ok? 😉

Trabalho

Falar de trabalho é muito mais complexo do que falar de estudos.

Normalmente, as escolas e faculdades são muito mais flexíveis e as pessoas são muito mais compreensivas.

Pense comigo…

O ambiente corporativo é, na maioria das vezes, muito competitivo e para um portador de doença crônica, isso pode ser um problema.

O fato de precisar ir ao banheiro muitas vezes ao dia e, às vezes, precisar abandonar reuniões por conta de uma súbita dor de barriga pode ser um impeditivo para o bom andamento das relações profissionais.

Em 2009, eu precisei sair do estágio por conta dos problemas de saúde. Já em 2010, fui demitido de um trabalho sob a alegação de estar “visivelmente doente” (palavras da minha ex-chefe). Ou seja, o preconceito é mais comum do que se pensa.

Por isso, eu tenho algumas dicas que me ajudam a conviver com essas questões.

1) Durante uma entrevista de emprego seja transparente!

De nada adianta você ser convidado para um emprego novo, ganhando mais, com mais qualidade de vida, estar na empresa que você sempre sonhou, se o seu superior imediato não entender que você possui uma condição médica.

Por isso, é preciso abrir o jogo já na entrevista.

É melhor que não te contratem do que te demitam.

2) Reflita: “Este trabalho é pra mim?”

Pense comigo… a doença de Crohn pode ter sintomas exacerbados devido ao estresse. Você já pensou em trabalhar na mesa de operações de um banco de investimentos? Já pensou em trabalhar como policial? Já pensou em trabalhar como controlador de voo?

Essas profissões podem ser extremamente estressantes e talvez não sejam compatíveis com a sua doença.

Não tenha medo de mudar, se necessário! Lembre-se que a sua saúde é o mais importante!

3) Converse com seu médico

Eu sempre passei por um problema: na minha profissão participo de reuniões com o alto escalão de diversas empresas. Como proceder caso eu precise ir ao banheiro no meio de uma reunião importante?

Para resolver essa situação, conversei bastante com meu médico e montamos algumas estratégias como: alterar a alimentação para algo muito leve em dias com reuniões críticas ou até usar medicamentos antidiarreicos em casos mais extremos.

Com a ajuda do médico, tudo fica mais fácil.

Atividade Física

A atividade física é muito importante no tratamento das doenças inflamatórias intestinais.

Sabendo disso, tento manter uma rotina de musculação e corrida.

O importante aqui é tentar algo que você goste. Não gosta de musculação, ok! Já tentou nadar? Correr? Praticar alguma arte marcial?

Mantenha-se em movimento.

E se você fosse um super-herói?

Se alguém com doença inflamatória intestinal (DII) fosse um super-herói, como ele seria? Quais características ele representaria? Talvez coragem, força e determinação – três atributos demonstradas pelos membros da comunidade global de DII que combatem essa doença todos os dias.

Pensando nisso, a Takeda Farmacêutica Brasil lançou a campanha DII Sem Máscaras, a primeira iniciativa global (de seu tipo) projetada para elevar a conscientização sobre os super-heróis não reconhecidos da comunidade global de DII, celebrada por meio de uma colaboração única com os gênios criativos da Marvel Custom Solutions.

Existem hoje mais de cinco milhões de pessoas em todo o mundo que vivem com DII.

Para essas pessoas, como eu, atividades cotidianas como reunir-se com amigos, familiares ou ir ao cinema podem ser desafiadoras. A campanha DII Sem Máscaras apresenta um novo time de super-heróis da DII, uma série de ilustrações gráficas desenvolvidas pela Marvel Custom Solutions e um painel internacional de pacientes para destacar os desafios físicos e emocionais de se viver com a condição.

O time de super-heróis e a série de histórias em quadrinhos estão disponíveis no site www.diisemmascaras.com.br, que apresenta quiz interativo, infográficos e perguntas e respostas. Nele, o usuário também pode criar e compartilhar seu avatar de super-herói e baixar recursos que podem ajudá-lo a se empoderar ao falar com médicos, família ou amigos sobre sua condição. 

Conteúdo patrocinado pela Takeda Farmacêutica e destinado para o público geral.  BR/EYV/1712/0122 | Dezembro 2017 | SAC 0800 7710345