Viajando com DII: minhas experiências de viagem

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Viajar é a coisa que eu mais amo fazer. Foi pensando nas viagens que fiz, e nas que ainda vou fazer que comecei a aprender fotografia, por exemplo. Foi também graças as minhas visitas aos principais museus do mundo que passei a me interessar por arte.

Ou seja, viajar mudou e continua mudando minha vida!

Porém, se você tiver uma doença crônica, como eu, preocupações podem surgir.

Como vai ser? E se eu passar mal?

Para pacientes de Doenças Inflamatórias Intestinais (doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa), pode ser extremamente estressante pensar em ficar preso em um avião por horas ou dentro de um carro sem banheiro por perto. Além disso, ainda temos a questão da alimentação.

Mas é como eu sempre digo: planeje-se!

Neste artigo, vou detalhar a minha rotina de planejamento de viagens que me fazem curtir até os mais exóticos passeios.

Planejando a viagem

Medicação

A medicação é provavelmente o item mais importante no planejamento de viagem de um paciente crônico.
Não se esqueça de levar remédios suficientes para durar a viagem inteira. E leve outros tipos de remédios, mesmo que não sejam de uso constante.

Por exemplo, não se esqueça de levar o medicamento para dor, febre e enjoo que você costuma usar.

Certa vez, eu tive dores no pescoço de tanto carregar minha mochila e precisei comprar um analgésico. O problema: eu estava em Bruxelas, na Bélgica, e lá não vendem dipirona (meu remédio de dor usual). Resultado: tive que escolher entre continuar com as dores ou comprar um Advil, que não é recomendado para portadores de doenças inflamatórias intestinais.

Pense também no transporte dos medicamentos. Se você faz uso de remédios que precisem ser refrigerados, leve uma bolsa térmica com você.

Se você for viajar de avião, leve seus medicamentos na bagagem de mão. Infelizmente, extravios de bagagem não são incomuns, principalmente em viagens internacionais.

Não esqueça ainda de verificar com a companhia aérea sobre as restrições existentes às bagagens de mão. Pode ser que você precise de autorização especial para levar determinados itens.

É muito importante também conhecer as restrições de entrada no país para determinados medicamentos. Por exemplo, em 2014, eu passei 20 dias na Europa e minha entrada foi pela Alemanha. Imagine chegar à Alemanha com 160 comprimidos de Imosec. Como explicar isso para as autoridades?

Para resolver a situação, antes de viajar eu fui ao consulado alemão em minha cidade e solicitei uma tradução oficial do laudo médico que constava que eu tenho doença de Crohn, além da receita da minha médica informado a dose de oito Imosecs ao dia.

Seu médico é seu amigo

Peça ao seu médico alguns itens importantes para levar à sua viagem:

  • Laudo com seu histórico médico e os remédios que está tomando: É imprescindível que esse documento seja traduzido para a língua do país de destino e também em inglês. Essas traduções normalmente só são aceitas pelas autoridades alfandegárias estrangeiras se forem juramentadas, ou seja, traduzidas e homologadas por pessoas indicadas pelo consulado do país. O laudo também será útil para ser apresentado para um médico estrangeiro, caso necessário.
  • Contatos: você precisa saber o que fazer em caso de crise, principalmente em um local estranho onde você não conhece ninguém.
    Não esqueça de levar um cartão com telefones de emergência, incluindo o número do seu médico e o cartão do plano de saúde, se você tiver.

O meio de transporte

Eu tento sempre solicitar assentos no corredor do avião, trem ou ônibus. Dessa forma fica fácil ir ao banheiro.

No avião, converse com a tripulação. Explique sua condição médica. É possível que te mostrem um banheiro novo.

Em 2014, voltando da Alemanha em um voo de 10 horas, precisei usar o banheiro urgentemente e não podia esperar. A fila do banheiro estava enorme, pois muitas pessoas “precisavam” escovar os dentes (sim, todas com escova e pasta na mão).
Tentei “furar” a fila explicando o problema, mas ninguém me deu ouvidos.
Finalmente, fui salvo por um tripulante que me levou ao banheiro da classe executiva.

Conversando com a tripulação antes do voo, é possível que ainda consigam um lanche especial pra você, mesmo na classe econômica.

Se não quiser contar com a sorte, leve o seu próprio lanche, mas preste atenção nas restrições para entrada com determinados alimentos no avião. Verifique tudo com a companhia aérea antes de embarcar.

E se me revistarem?

Para evitar complicações com a medicação, siga a dica que eu dei ali em cima: leve um laudo do seu médico devidamente traduzido e normalmente, você não terá problemas.

Se você for questionado e precisar ser revistado, explique sua condição.
Caso você não fale a língua do segurança, uma carta do médico traduzida pode ser bem útil.

Posso visitar qualquer lugar?

A princípio, sim.
Mas converse com seu médico. Dependendo da sua condição de saúde pode ser que existam restrições.

Afinal, devo me preocupar com o quê?

Você deve se preocupar em se divertir na viagem. Porém, ter uma crise de diarreia no meio da rua em um local estranho pode ser horrível.

Eu mesmo tive uma diarreia em plena Champs-Élysées, em Paris.

Mas calma… deu tudo certo. Quando percebi que precisava urgentemente de um banheiro, entrei em um restaurante e perguntei gentilmente onde ficava.
Pronto! Problema resolvido. Depois peguei o metrô, voltei ao hotel e tomei meu Imosec. 🙂

Você não precisa ser fluente na língua do país de destino. Na França foi fácil, pois eu arranho o francês. Mas e na Alemanha?

A dica é: aprenda as frases mais importantes.

Eu posso dizer que, em alemão, eu sei dizer “bom dia”, “obrigado”, “até logo” e a mais importante: “onde é o banheiro?”. Para mim tá bom!

Hoje em dia com a tecnologia é bem fácil saber onde ficam os banheiros públicos. Tem até aplicativo de smartphone pra isso!

Outra dica bem importante: leve um “kit banheiro”.
Eu levo pra lá e pra cá (inclusive quando não estou viajando) um nécessaire com papel higiênico, álcool gel e lenços umedecidos.

Vacinas

Você está com as vacinas em dia?

Isso é muito importante para quem convive com DII. Converse com seu médico sobre a possibilidade de tomar as vacinas que você ainda não tomou e cheque se é necessário tomar algumas outras.

Além disso, em caso de viagem, fale com seu médico com antecedência e nunca tome uma vacina sem antes conversar com ele, ok?

Algumas vacinas comuns exigidas em alguns lugares do mundo são:

  • Febre amarela
  • Hepatite A
  • Hepatite B
  • Cólera
  • Raiva
  • Encefalite meningocócica
  • Encefalite japonesa
  • Tuberculose

Mas cuidado! Algumas delas (como a de febre amarela) são recomendadas apenas em casos específicos, como viagens a locais endêmicos.

Além disso, se estiver tomando corticoides, imunossupressores ou fazendo terapia biológica, então você deve evitar algumas vacinas, como febre amarela, cólera e tuberculose.
Caso a sua viagem seja longa, converse com seu médico sobre a necessidade de uma injeção para TVP (trombose venosa profunda).

**Sempre consulte seu médico antes de tomar qualquer vacina!**

Cuidado com a alimentação

Preste atenção em onde você come e o que você come.

Beba sempre água mineral engarrafada, mesmo em países que oferecem água filtrada gratuitamente. O barato pode sair caro.
Não coma nada cru. Portanto, evite saladas e sushis. Além disso, tente não sair muito da sua alimentação padrão na maioria do tempo.

Pessoalmente, eu tento experimentar as comidas típicas dos lugares, mas para isso eu vou a um restaurante com boa reputação e evito a comida de rua.

Para escolher os locais onde comer eu uso bastante o Trip Advisor e o Google Maps antes de viajar para ajudar no planejamento. Depois salvo tudo em um aplicativo chamado Evernote. Dessa forma, todo o meu roteiro fica disponível em meu smartphone e tablet mesmo que eu não tenha acesso à internet.

Seguro viagem

Antes de viajar, verifique a apólice do seu seguro viagem.
Infelizmente, muitas apólices não cobrem doenças preexistentes. Verifique se o seu cartão de crédito possui seguro viagem e solicite a apólice para o atendente do Call Center ou ao gerente do seu banco.

O mais importante

Por fim, o mais importante: divirta-se!

E se você fosse um super-herói?

Se alguém com doença inflamatória intestinal (DII) fosse um super-herói,
como ele seria? Quais características ele representaria? Talvez coragem, força e determinação – três atributos demonstrados pelos membros da comunidade global de DII que combatem essa doença todos os dias.

Pensando nisso, a Takeda Farmacêutica Brasil lançou a campanha DII Sem Máscaras, a primeira iniciativa global (de seu tipo) projetada para elevar a conscientização sobre os super-heróis não reconhecidos da comunidade global de DII, celebrada por meio de uma colaboração única com os gênios criativos da Marvel Custom Solutions.

Existem hoje mais de cinco milhões de pessoas em todo o mundo que vivem com DII.

Para essas pessoas, como eu, atividades cotidianas como reunir-se com amigos, familiares ou ir ao cinema podem ser desafiadoras. A campanha DII Sem Máscaras apresenta um novo time de super-heróis da DII, uma série de ilustrações gráficas desenvolvidas pela Marvel Custom Solutions e um painel internacional de pacientes para destacar os desafios físicos e emocionais de se viver com a doença.

O time de super-heróis e a série de histórias em quadrinhos estão disponíveis pelo site www.diisemmascaras.com.br, que apresenta quiz interativo infográficos e perguntas e respostas. Nele, o usuário pode criar e compartilhar seu avatar de super-herói e baixar recursos que podem ajudá-lo a se empoderar ao falar com médicos, família ou amigos sobre sua condição.

Conteúdo patrocinado pela Takeda Farmacêutica e destinado para o público geral. BR/EYV/1712/0122 | Dezembro 2017 | SAC 0800 7710345