Os Exercícios Físicos e a Doença de Crohn

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Uma das maiores dúvidas que assombra os pacientes de doenças inflamatórias intestinais é se é possível fazer atividades físicas sendo portador de doença de Crohn ou colite ulcerativa. Para sanar essa dúvida, alguns estudos foram feitos a fim de responder a questão. Leia este post para entender o efeito dos exercícios físicos na Doença de Crohn.

Exercícios físicos na doença de Crohn
Exercícios físicos na doença de Crohn

Em 1999 um estudo intitulado The effects of physical exercise on patients with Crohn’s disease (Os efeitos do exercício físico em pacientes com doença de Crohn, em tradução livre) conduzido por uma equipe de médicos e pesquisadores canadenses e publicado no conceituado American Journal of Gastroenterology teve por objetivo avaliar os efeitos de exercícios de intensidade regular sobre pacientes sedentários portadores de doença de Crohn.

Para realizar a pesquisa, os pesquisadores selecionaram um grupo de pacientes sedentários com doença de Crohn inativa ou semi-ativa. Foi criado um programa de caminhada com periodicidade de três vezes por semana durante 12 semanas. Um diário de desempenho foi mantido e foram estabelecidas metas individuais de frequência cardíaca.

As métricas utilizadas no estudo incluíram o Harvey and Bradshaw Simple Index (índice de atividade de doença de Crohn), o IBD Stress Index (índice de atividade das DIIs), o Inflammatory Bowel Disease Quality of Life Score (métrica para qualidade de vida nas DIIs), o teste aeróbico canadense (Canadian Aerobic Fitness Test), o teste de VO2 Máximo e o índice de massa corporal (IMC).

O resultados da pesquisa indicaram que doze indivíduos completaram o programa de exercícios proposto, percorrendo uma média de 2,9 sessões por semana, com média de 32,6 minutos por sessão e com distância média de 3,5 km por sessão. Foram observadas melhorias estatisticamente significativas em todos os índices analisados, comuma tendência para redução do índice de massa corporal (IMC). Nenhuma doença de

Doze indivíduos completaram o programa de exercícios de 12 semanas. Os indivíduos percorreram uma média de 2,9 sessões / semana, com uma média de 32,6 min / sessão, e por uma distância média de 3,5 km / sessão. Melhorias estatisticamente significativas no final do estudo foram vistos por todas as medidas, com uma tendência para a redução do IMC. Nenhum paciente apresentou crises derivadas da doenças durante o estudo.

O estudo concluiu, então, que pacientes sedentários com doença de Crohn podem tolerar exercícios de baixa intensidade de duração moderada, sem apresentarem exacerbação dos sintomas. As doze semanas foram suficientes para provocar melhorias psicológicas e físicas nos pacientes sem afetarem negativamente a atividade da doença.

Um outro estudo, mais recente intitulado Exercise Decreases Risk of Future Active Disease in Patients with Inflammatory Bowel Disease in Remission (o exercício diminui o risco de doença ativa futura em pacientes com doença inflamatória intestinal em remissão, em tradução livre) foi publicado em 2015 por um grupo de médicos e pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, nos EUA (University of North Carolina at Chapel Hill) teve como objetivo avaliar a associação entre exercícios e a atividade subsequente da doença em pacientes em remissão.

A pesquisa foi realizada através de um estudo prospectivo via internet com o apoio da Crohn’s and Colitis Foundation of America com um grupo de indivíduos com doença inflamatória intestinal. Foram, então, identificados os pacientes em remissão com baixo índice de atividade da doença de Crohn (Crohn’s disease activity index < 150) ou baixo nível de atividade de colite (simple clinical colitis activity index ≤ 2). Foram usadas técnicas estatísticas bivariadas e multivariadas para descrever a associação independente entre o exercício e o risco de atividade da doença.

A amostra contou com 1308 pacientes com doença de Crohn e 549 pacientes com colite ulcerativa/indeterminada.

O estudo concluiu que os pacientes com doença de Crohn em remissão que tinham níveis mais elevados de exercício foram significativamente menos propensos a desenvolver atividade da doença em 6 meses.

Por outro lado, os pacientes com colite ulcerativa/indeterminada em remissão que tinham níveis mais elevados de exercício foram menos propensos a desenvolver atividade da doença em 6 meses, porém não foi estatisticamente significativo.

Referências:

LOUDON, Colleen P. et al. The effects of physical exercise on patients with Crohn’s disease. The American journal of gastroenterology, v. 94, n. 3, p. 697-703, 1999.

JONES, Patricia D. et al. Exercise Decreases Risk of Future Active Disease in Patients with Inflammatory Bowel Disease in Remission. Inflammatory bowel diseases, v. 21, n. 5, p. 1063-1071, 2015.

Crédito das fotos: PhotoDune