A diferença entre Crohn, Colite Ulcerativa e DII

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World IBD Day

Muitas vezes me perguntam se eu tenho doença de Crohn ou DII (Doença Inflamatória Intestinal), como se fossem coisas distintas. Outras pessoas ainda pensam que doença de Crohn e colite ulcerativa são a mesma coisa, com nomes diferentes. Ou seja, existe uma confusão por parte do público sobre o que é doença de Crohn (DC), colite ulcerativa (ou retocolite ulcerativa – RCU) e doença inflamatória intestinal (DII).

Encontrei um artigo em inglês excelente que demonstra as diferenças entre Crohn, Colite Ulcerativa e DII, que traduzo abaixo em homenagem ao World IBD Day (Dia Mundial da DII) que é comemorado todo dia 19 de maio em prol da conscientização da população pelas doenças inflamatórias intestinais.

De forma simples e fácil, DII é o termo genérico utilizado para ambas as doenças: colite ulcerativa e doença de Crohn. Embora a DC e a RCU compartilhem sintomas, elas possuem diferenças.

Uma breve história da DII

Doença inflamatória intestinal é normalmente é o termo utilizado para se referir à RCU e à DC, no entanto algumas outras doenças podem ser referidas como DII também. Estas incluem colite microscópica, diverticulose associada à colite e doença de Behçet.

As DII eram raramente vistas antes do surgimento de melhores condições de higiene e urbanização no início do século XX e hoje ainda é encontrada principalmente em países desenvolvidos. Como outras doenças auto-imunes e alérgicas, acredita-se que a falta de desenvolvimento de resistência a germes levou à doenças como as DII.

O sistema imunológico dos portadores de DII detecta erroneamente alimentos, bactérias e outros materiais no trato gastrointestinal como substâncias malignas e responde através do envio de células brancas do sangue na parede do intestino. O resultado dos ataques do sistema imunológico é a inflamação crônica.

As DII podem aparecer em qualquer idade, mas geralmente aparece pela primeira vez em pessoas com idades entre 15 e 35 anos. Ela aparece com mais frequência em climas temperados, como na América do Norte, Reino Unido, Escandinávia e outros países da Europa Ocidental. É mais comum em áreas urbanas, entre as pessoas com suportes sócio-econômicos mais altos e em brancos em oposição às pessoas de pele mais escura e os de ascendência asiática.

Um estudo de 9 milhões de pessoas nos EUA descobriu que a doença de Crohn está presente em uma média de 201 para cada 100.000 americanos, ao passo que a colite ulcerativa é encontrada em 238 para cada 100.000. Os números foram semelhantes, embora ligeiramente inferior entre os canadenses, e menor ainda na Europa. Estudos recentes mostraram também que as DII estão em ascensão entre crianças com menos de nove anos de idade.

Infelizmente, atualmente não há cura para as doenças inflamatórias intestinais e os portadores podem esperar viver com a doença por suas vidas inteiras, com períodos de remissão e de surtos alternados. Tratamentos modernos, no entanto, permitem que as pessoas vivam de forma relativamente normal e produtiva.

Além disso, a DII não deve ser confundida com a síndrome do intestino irritável – SII – que é por vezes referida como “colite nervosa” ou “cólon espasmódico”. SII é uma doença muito menos grave do que a doença de Crohn ou a colite ulcerativa, pois não envolve inflamação ou não parece ter uma base fisiológica.

Doença de Crohn (DC)

A doença de Crohn pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal desde a boca até ao ânus, embora seja mais frequentemente encontrada no final do intestino delgado e o início do cólon (intestino grosso).

Os sintomas da doença de Crohn incluem diarreia persistente, dor abdominal em forma de cólica, febre, hemorragia retal ocasional e fadiga. Ao contrário da RCU, a doença de Crohn não está limitada ao trato gastrointestinal e também pode afetar a pele, os olhos, as articulações e o fígado. Como os sintomas costumam piorar depois de uma refeição, os pacientes com doença de Crohn muitas vezes experimentam perda de peso devido à evasão de alimentos.

As complicações da doença de Crohn são obstruções do intestino devido à cicatrizes e inchaço, além de e úlceras (feridas) no trato intestinal, que podem se desenvolver como fístulas. Estatisticamente, estas fístulas aparecerão em até 30% dos doentes de Crohn.

A medicação é a forma mais comum para tratar a doença de Crohn. No entanto, entre 33% e 75% dos portadores irão eventualmente necessitar de cirurgia.

Colite Ulcerativa (RCU)

Ao contrário da doença de Crohn, a colite ulcerativa está limitada ao cólon (intestino grosso) e só afeta as camadas superiores. Os sintomas da UC incluem dor abdominal em forma de cólica, diarreia, fezes com sangue e sensação de urgência. Outros efeitos secundários podem incluir fadiga, perda de apetite e, em casos graves, a anemia devido a perda de sangue.

As crianças com a doença pode não se desenvolver ou crescer adequadamente. Cerca de metade dos pacientes com RCU terão sintomas leves. Períodos de remissão tendem a ser mais longos do que na DC e as complicações são muito menos frequentes. Com a exceção da terapia biológica, os tratamentos para a doença são os mesmos que para a doença de Crohn. Ao contrário da DC, no entanto, a maioria dos pacientes com RCU quase nunca precisarão de cirurgia.

 
  • Dani

    Muito interessante! Sofro de um desses males (estou em fase de descoberta) e a única coisa que desejo é poder voltar a praticar minhas atividades físicas, viajar, sem me preocupar em ter uma crise!